O Toque da Cura Energizando o Corpo, a Mente e o Espírito através da Arte do Jin Shin Jyutsu – Parte 2

02 – A ARTE ESQUECIDA, RECÉM-RELEMBRADA

O nome Jin Shin Jyutsu significa “A Arte do Criador através da pessoa de compaixão”. A arte de cura que essas palavras representam baseia-se em nossa capacidade inata de harmonizar a nós mesmos. Há milhares de anos, os povos antigos usavam essa consciência para tratar a si mesmos e também outras pessoas. Mas com a sucessão das gerações, essa consciência foi se obscurecendo até ficar esquecida. No início do século XX, um sábio japonês chamado Jiro Murai resgatou o Jin Shin Jyutsu – levado pela necessidade. Jiro Murai nasceu em Taiseimura (atualmente Cidade de Kaga), na Prefeitura de Ishikawa, em 1886, e era o segundo filho da família.

O pai de Jiro era médico, como também o fora seu avô e muitos de seus ancestrais. Como o costume japonês ditava que o filho mais velho seguis a profissão do pai, Jiro estava livre para escolher seu próprio caminho. Ele começou como criador do bicho-da-seda, mas era de natureza ousada e se excedia na comida e na bebida – a ponto de participar de torneios gastronômicos, em que era premiado com dinheiro por ingerir enormes quantidades de comida. Com 26 anos, ele já estava gravemente doente. Vários médicos o trataram, mas sua enfermidade só se agravava, até ser dada como incurável; os médicos desistiram de tratá-lo e o consideraram um doente terminal. Como ultimo desejo, ele pediu aos familiares que o levassem numa maca até a montanha, que o deixassem sozinho, durante sete dias, na casa da família e retornassem no oitavo dia.

Ali, Murai jejuou, meditou e praticou várias posturas com seus dedos. Durante esse tempo, ele passou por períodos de consciência e de inconsciência. Seu corpo físico ficou mais frio. Mas no sétimo dia, ele sentiu como se tivesse sido tirado de uma tina congelada e jogado numa fornalha ardente. Quando essa sensação de calor intenso diminuiu, uma calma profunda e uma extraordinária paz interior tomaram conta dele. Para sua grande surpresa, estava curado. Ele então caiu de joelhos, agradeceu e prometeu dedicar sua vida ao estudo da cura. O empenho de Murai para compreender as causas da desarmonia era profundo. Gil Burmeister lembra-se dele como um homem obcecado pela busca do conhecimento: “Jiro fez suas pesquisas entre os mendigos, no Parque Wano, em Tóquio. Muitas pessoas viviam no parque. Jiro se dedicava a elas e estudava a enorme variedade de doenças que encontrava. Lembro que ele passou por um período de estudos de problemas referentes ao ouvido. Ele queria trabalhar com todas as pessoas que tivessem dor de ouvido. Compreendido esse distúrbio, ele passava para outro. As minuciosas e amplas pesquisas de Murai levaram-no à compreensão de uma arte de cura que ele chamou de Jin Shin Jyutsu. À medida que Murai foi aprofundando sua compreensão da Arte, o significado do nome Jin Shin Jyutsu foi evoluindo. No início, essas palavras significavam “Arte da Felicidade”; mais tarde, elas passaram a significar “Arte da Longevidade”.

O sentido continuou evoluindo e passou a indicar “Arte da Benevolência” e por fim “Arte do Criador através da pessoa de compaixão”. Pelo que se sabe, Jiro Murai nunca saiu do Japão, mas ele queria que a prática do Jin Shin Jyutsu fosse conhecida em todo o mundo. Para que isso acontecesse, ele escolheu uma jovem nipo-americana chamada Mary Burmeister. Nascida em Seattle, Washington, em 1918, Mary Iino (o nome de solteira de Mary) chegou ao Japão no fim da década de 1940 para trabalhar como tradutora e estudar diplomacia. Muito inteligente e estudiosa, na verdade erudita por natureza, Mary sonhava em freqüentar uma universidade japonesa.

Além disso, ela queria a todo custo superar os preconceitos contra os nipo-americanos em Seattle, especialmente contra sua família e contra ela mesma. “Eu me sentia discriminada”, lembra ela. Mary pouco conhecia das artes de cura quando encontrou Jiro Murai na casa de um amigo comum. Murai se aproximou de Mary e lhe fez um convite que alteraria a vida dela: “Você gostaria de estudar comigo para levar um presente do Japão aos Estados Unidos?” Embora pega de surpresa, Mary se sentiu estranhamente aberta à sugestão. “Sim”, foi a resposta que ela conseguiu dar. Mary estudou com Murai durante os doze anos seguintes.

Entretanto, pouco depois de começar os estudos, ela adoeceu. Suas dores atrozes e uma grande fraqueza obrigavam-na a ficar de cama. Sempre que os amigos a visitavam, eles saíam chorando, perguntando-se se voltariam a vê-la. Durante mais de um mês, Murai tratou Mary três vezes por semana, viajando uma hora e meia de trem até a casa dela. Como Mary estava muito fraca, ele só a tratava de cinco a quinze minutos por vez.

Certo dia, depois da sessão, Murai disse a Mary que ela estaria recuperada no dia seguinte. Ainda extenuada e dolorida, ela mal pôde acreditar. No dia seguinte, porém, ela acordou com nova disposição e percebeu que estava completamente curada. Mary lembrou mais tarde como aquela doença alterou profundamente sua percepção. “Até então, eu jamais adoecera, nunca tivera mais do que uma dor de cabeça. Na verdade, quando as pessoas adoeciam, eu pensava comigo mesma, ‘isso é fuga’, um jeito de evitar responsabilidades”.

Depois dessa experiência, ela compreendeu que o sofrimento não é um blefe. Essa compreensão infundiu-lhe a compaixão necessária para dedicar sua vida a outras pessoas. Nos quarenta anos seguintes, Mary nunca mais adoeceu. Em 1954, ela voltou para os Estados Unidos e se fixou em Los Angeles, mas começou a praticar Jin Shin Jyutsu ativamente só em 1963. Mary superou as expectativas que Murai depositara nela. Desde a morte do mestre, em 1961, ela é a principal professora de Jin Shin Jyutsu do mundo e a síntese de tudo o que a Arte oferece. Vem praticando e ensinando o Jin Shin Jyutsu incansavelmente pelos Estados Unidos e Europa.

Mary descreve a essência do Jin Shin Jyutsu com a frase “CONHECER (AJUDAR) A MIM MESMO”. Como ela escreveu num de seus textos “O Jin Shin Jyutsu desperta nossa consciência para o simples fato de que tudo o que precisamos para estar em harmonia e equilíbrio com o universo – física, emocional e espiritualmente – está dentro de nós mesmos. Através dessa consciência, a sensação de paz completa, de serenidade, de segurança e de unidade interior é evidente. Nenhuma pessoa, situação ou coisa pode tirar isso de nós.”

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